A fera

Amedrontaste a fera
Trazida da escuridão.
Amedrontaste nas trevas
A ignorância e o fio da questão.


Que afirmação sincera,
Mas de pouco invenção!
Amedrontaste a fera
Num dia de confusão.


Mas como era uma fera,
Já não me dava o perdão.
Já não me dava carinho,
Já não passava emoção.


Mas sendo fera bandida,
Ficou catita a restrição.
Ficou inibida na tinta,
No sangue da ressurreição.


E de catita a catita
Me abro em uma nova invenção.
Mas como eras bandida,
Não te prometo em quinhão.


A fera menina gazela,
No lago e sem imersão,
Abria as asas singelas
Que eram mãos de sansão.


Se hoje me perguntas da fera,
Da boa nova que nasce, quem são,
A fera responde das trevas:
“São barbas de camarão”.



Logo não lembres da fera
Que o tempo não é de perdão,
Mas busques sempre a fera
Que mora no teu coração.