Divina canção humana

Entre arvoredos e flores em botão,


A mão do arcanjo inunda de luz


Todo o jardim,


As flores se abrem subitamente,


Os pássaros em bando cantam;


Das nuvens, ligeira neblina,


Névoa aureolada de luz.


O arcanjo será Gabriel,


Será Rafael


Ou apenas um sonho?


Não importa, o amor e invisível aos olhos.


Não importa que sejam vultos,


Fumaças esvoaçantes de luz,


Uma pedra sem rumo.


Não importa.


O que na verdade importa


É o entreter de suas mãos


A modelar todo o jardim.


Preparam as bem-aventuranças


Por todo o universo simplesmente


Com aquelas mãos inundadas de luz;


São frutos, rosas, amor imperceptível aos olhos.


Como circundam o jardim em coro cantante,


As crianças logo sorriem.


O enfado, o cansaço e o sono


Se enchem de vigor e graça.


“Vamos, diz o arcanjo, abram-se rosas!”.


Faça-se a luz, luz são seus corpos!


Surjam as águas, águas de seus olhos!”


Refrão:


Jardim com jardineiro.


Jardineiros incansáveis, anjos.